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Documentário Não Matarás - parte 1 de 7

Eu recomendo o documentário inteiro, mas pra quem quiser ver só os meus ratos, aparecemos aos 8min e 38s.


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Photo AlbumMeus ratos (20 photos)Jun 11, '08 10:57 PM
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Esses são os anjinhos que foram responsáveis por grande parte do que sou hoje. Eles estiveram comigo de 2004 a 2007.

Blog EntrySobre ratosMay 31, '08 12:49 AM
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QUEM NÃO TIVER PACIÊNCIA PRA PARTE “CIENTÍFICA” DA COISA E GOSTAR DE BICHOS, POR FAVOR, PULE DIRETO PARA A PARTE OS MEUS RATOS.

 

No ano do rato, eu estou devendo esse post há um tempão. Fiquei pensando em coletar mais dados interessantes sobre a história desse animal como um ser relevante para o ser humano, em traduzir alguns textos e vídeos, e isso tudo me dava uma preguiça fenomenal. Então resolvi escrever sobre o que sei, sobre só o que está na minha cabeça, e escrever, principalmente, sobre as minhas experiências e sobre os ratos que mudaram a minha vida.

Nas grandes cidades existem três espécies de roedores consideradas pragas urbanas: o Rattus novergicus, que é o rato de esgoto ou a popular ratazana, o maior de todos; o Rattus rattus, o rato de telhado; e o Mus musculus, o camundongo. Não me comprometo a ter escrito nenhum desses nomes científicos de maneira correta, mas se vocês forem dar uma pesquisada por aí, verão que no máximo errei por uma letra. É do Rattus novergicus que vou falar, a popular ratazana.

Um rato adulto dificilmente tem menos do que 15cm de comprimento, mais um rabo do mesmo tamanho. Possuem semelhanças incríveis com o ser humano, incluindo a alimentação onívora, as espécies de parasitas e o número de cinco dedos nas patas. As patas dianteiras têm polegares opositores, e eles seguram o alimento entre essas mãozinhas para comer.

Os ratos têm hábitos noturnos, e são excelentes escaladores e saltadores, mais uma vez assemelhando-se aos primatas. O rabo tem a função de ajudar no equilíbrio, e é muitíssimo vascularizado. Uma das maneiras mais comuns de se retirar sangue de ratos para algum tipo de exame é fazendo um pequeno corte na ponta do rabo.

Os ratos são animais extremamente sociais e gregários, ao contrário de hamsters e camundongos. Posso dizer com segurança que, de todos os roedores comercializados como animais de estimação, os ratos são os mais dóceis e sociáveis – apesar de serem os menos populares no Brasil. É altamente recomendável mantê-los pelo menos em pares, que podem ser do mesmo sexo, e a aproximação de adultos estranhos resulta em sucesso na grande maioria dos casos, sendo que já passei por experiências em que não precisei de cuidado nenhum para tal aproximação.

Praticam o grooming ou catação com outros membros da colônia. Já viram macacos “catando piolhinho” uns nos outros? É isso. Os ratos fazem exatamente a mesma coisa, usando as patas dianteiras ou ainda a língua, realizando um ato de cuidado e limpeza do parceiro com a função de vinculação social.

O comportamento de autolimpeza é muito freqüente e um dos mais sensíveis às condições de estresse. Em situações ameaçadoras, a autolimpeza por aparecer como um comportamento deslocado com uma função calmante, e em situações altamente estressantes – como privação de água ou comida – esse comportamento pode diminuir drasticamente. Esse comportamento é tão bem estabelecido e importante para esses animais que indivíduos que tiveram as patas dianteiras amputadas quando filhotes, antes mesmo de poderem aprender as conseqüências positivas da autolimpeza, exibiram durante toda a vida movimentos nos “tocos” de patas claramente característicos da autolimpeza (uma pesquisa antiga, cujo autor eu vou amaldiçoar sempre, mas o dado é interessante).

Na “natureza”, eles vivem em grandes colônias com hierarquia bem definida. Uma dos comportamentos que considero mais interessantes – e o motivo pelo qual os venenos comumente utilizados não acabam com as colônias – é a capacidade de associar o odor vindo da boca de um rato morto à causa de sua morte. Quando o rato que ingeriu algum tipo de veneno morre na colônia, os outros não comerão nada que encontrarem que contenha o mesmo odor.

Ratos tem neofobia – medo do novo, literalmente. São grandes exploradores quando criados em colônias e, principalmente, quando estão acompanhados de seus parceiros, situação em que a vigilância aumenta e o risco de predação é menor. Porém, ser colocado num ambiente completamente novo é uma situação geralmente bastante estressante. Eles também têm medo de lugares abertos, preferindo se locomover por cantos e ambientes menores onde haja algo que se assemelhe a trilhas e caminhos.

A gestação dura 21 dias, e a fase de amamentação também. Eles nascem sem pêlos e com os olhos fechados. Logo após o nascimento, a mãe estimula o abdômen dos filhotes com a língua: sem esse estímulo, as bexigas dos animais não funcionam e eles morrem rapidamente (dado super relevante, mas fruto de mais uma pesquisa idiota). A maturação sexual se dá por volta dos 3 meses de idade e o tamanho adulto é atingido por volta dos 6 meses. Em média, um rato deve viver 2 anos.

A maioria das pesquisas científicas em animais é feita com ratos ou camundongos. Ratos são muito utilizados para estudos dos efeitos comportamentais de medicamentos em seres humanos e também para estudos de fisiologia. Camundongos são bastante utilizados para pesquisas genéticas. Foram desenvolvidas diversas variações genéticas de ambas as espécies para facilitar os diferentes tipos de estudos. Há uma tendência mundial em cuidar cada vez mais da ética e do bem-estar desses animais tanto nas pesquisas quanto na sua criação nos biotérios. No Brasil, a tendência ainda é se preocupar em primeiro lugar com a questão da higiene, em segundo com a questão da analgesia e da eutanásia (que nem sempre são adequadas, principalmente esta última), e em último lugar com as necessidades comportamentais e sociais (principalmente dos ratos), que são as mais importantes para o bem-estar dos animais na maior parte do tempo que passam nos biotérios. Vale lembrar que, por mim, todas as pesquisas seriam abolidas neste exato instante – e digo isso com o olhar de quem já vivenciou parte desse mundo.

 

OS MEUS RATOS

Tive cinco ratos de estimação: Salomão, Almeida, Chico, João e Lester. Depois tive camundongos, que crio até agora, mas não é deles que vou falar. Salomão (adotado numa pet shop) e Almeida (resgatado da criação de um biotério) foram meu primeiro par. Quando o Salomão morreu, depois de 40 dias comprei o Chico de uma empresa de alimentos vivos para fazer companhia ao Almeida. Dez dias depois, o Almeida também morreu. Então comprei o João numa pet shop, e algum tempo depois trouxe pra casa o Lester, que era sujeito de uma das minhas pesquisas e um belo dia resolveu que não ia mais beber o remédio que eu estava testando – garoto esperto! Vou contar algumas das minhas experiências mais marcantes e/ou engraçadas com eles.

 

-         Quando adotei o Salomão ele era tão filhote que nem devia ter desmamado direito ainda (eu ainda não tinha muito conhecimento sobre ratos). Ele gostava de beber água em gotas nos meus dedos, como se estivesse mamando, e só conseguia dormir tranqüilamente na minha mão. Tiramos bons cochilos juntos. Fui, literalmente, a mãe dele.

-         Na semana em que eu estava estudando figura de apego na faculdade, fui limpar a gaiola do Salomão e do Almeida, ainda filhotões, e os deixei passeando pelo quarto sob a supervisão do meu ex-namorado. O Salomão se afastou de mim, passou pela grade da gaiola e continuou andando. Sem querer, eu derrubei a grade da gaiola, fazendo muito barulho. Então, ele voltou correndo, passou pela grade da gaiola – o que tinha causado o barulho e o susto – e pulou no meu colo. Poucos minutos depois, percebi que o Almeida estava se afastando demais, quase na porta da lavanderia. Dei um gritinho com o meu ex, repreendendo-o por ter deixado o rato ir tão longe. Então o Almeida se assustou com a minha própria voz, voltou correndo e pulou no meu colo. E foi aí que eu entendi direito o que era figura de apego.

-         Um dia a gaiola dos dois estava na sala do apartamento da minha avó (estávamos passando uma temporada lá enquanto o meu era reformado) quando vi que um deles estava parado em um dos cantos da gaiola, olhando pra fora fixamente e balançando a cabeça pra cima e pra baixo. Pensei que ele estivesse passando mal e peguei-o correndo no colo pra ver o que ele tinha. Enquanto eu ainda o estava acudindo, olhei pra gaiola e vi que o outro tinha ido pro mesmo canto, estava olhando pro mesmo lugar e fazendo a mesma coisa. Em todo o meu tempo de biotério e convívio com ratos, eu nunca vi nenhum rato fazer o que os meus dois fizeram naquele dia. E foi aí que eu descobri que ratos podem ser médiuns.

-         O Salomão era o rato perfeito. Vale a pena dizer.

-         Um dia, levei os dois pra casa de minha outra avó, pra passar uns dias por lá. Enquanto eu limpava a gaiola no banheiro, soltei os dois dentro da banheira. De repente, comecei a escutar um miado muito alto e muito perto. Fiquei apavorada, pensando em como é que um gato tinha conseguido entrar no banheiro de um apartamento no 17º andar bem no dia em que soltei meus ratos ali. Foi então que olhei dentro da banheira e vi Salomão, paralisado de medo no meio daquela branquidão toda, miando perfeitamente.

-         Quando o Salomão morreu, de uma doença respiratória super comum, que matou todos os meus ratos e contra a qual eu lutei com todas as armas que estavam ao meu alcance na época, o Almeida passou a roer tudo o que encontrava fora da gaiola (antes ele não roia coisas fora da gaiola) e a ter “tiques nervosos”. Ele só melhorou quando fiz algumas adaptações ambientais na gaiola para entretê-lo melhor.

-         Um dia, eu estava estudando o conceito de conservação de objeto de Piaget sentada na cama de minha irmã e soltei o Almeida na cama enquanto isso. Eu estava com um band-aid no dedo, que ele adorou e resolveu roer. Quanto mais eu tirava a mão, mais ele ia atrás. Até que resolvi esconder a mão debaixo do travesseiro, pra ele não ver mais o band-aid, esquecer da história e procurar outra coisa pra se divertir. Foi quando ele segurou meu polegar entre suas patas dianteiras e puxou minha mão pra fora de onde ela estava, pra conseguir alcançar o band-aid novamente. Então eu larguei minha apostila de lado e resolvi não estudar mais nada.

-         Quando trouxe o Chico pra casa, Almeida parecia tão feliz em ter um novo amigo que, mesmo sempre tendo sido o dominante na relação anterior com Salomão, se deitava de barriga pra cima na frente de Chico (sinal de submissão), tentando estabelecer contato social.

-         Nessa época, comprei uma gaiola bem maior e resolvi a ensinar os dois a fazer cocô numa caixa de areia de gato, num canto da gaiola. A partir de então, todos os meus ratos só fizeram cocô nessa caixinha. Eles aprenderam a fazer cocô num lugar só muito bem. O meu cachorro, não.

-         Alguns dias depois de ter trazido Chico pra casa, Almeida começou a apresentar redução de movimentos em um dos lados do corpo, como um sintoma neurológico mais avançado do que causava a doença respiratória. Mais alguns dias, cheguei em casa e ele estava também cego, passando muito mal. Foi nessa noite que ele morreu. Mesmo cego e passando mal, quando o deixava no meu colo, sua respiração se acalmava. Percebi que ele estava com um cocozinho entalado, que não saía. Fiquei preocupada algum tempo, achando que ele não estava conseguindo fazer por estar passando mal. Então resolvi colocá-lo em cima da caixa de areia. E então ele fez. Mesmo cego, passando mal, morrendo e tendo aprendido a usar a caixa de areia só há 10 dias, ele queria usá-la.

-         Chico foi meu rato mais anti-social. Não ia muito com a cara do Almeida, que se derretia pra ele. Porém, quando eu trouxe o João pra casa, foi paixão à primeira vista. Literalmente. Sorte minha que macho não emprenha.

-         Como eu já disse, ratos têm medo do novo. Principalmente quando criados em isolamento. Isso foi visto em diversas pesquisas. Porém, com o Lester não foi bem assim. Ele, que vivia numa gaiolinha ridiculamente minúscula no biotério, ao chegar na minha casa e ver a mansão de ratos que eu tinha no meu quarto, saiu pulando por todos os cantos e por cima do Chico e do João, sem a menor noção de traquejo social. Os outros dois se entreolhavam e olhavam pra mim, com cara de quem pergunta “onde você arranjou esse idiota?”. Depois de tanta euforia, Lester acabou fazendo um pequeno corte em um dos dedos e passando o resto da noite choramingando num canto da gaiola, com João penalizado atrás dele colocando uma das mãozinhas sobre suas costas, como quem oferece solidariedade.

-         Eu já tinha visto Salomão e Almeida morrerem sofrendo muito bem diante dos meus olhos. O primeiro, a caminho do veterinário, depois de vir passando mal desde Santos até São Paulo. O segundo, à noite, quando o veterinário estava no cinema e me passou algumas orientações por telefone. Eu prometi a mim mesma que não deixaria mais um rato meu sofrer daquele jeito, se eu pudesse evitar. Foi por isso que, quando eu desconfiei que João ia começar a passar mal, eu o levei pro veterinário muito serena, mas já sabendo o que ia acontecer. Quando ele fez a recomendação, as lágrimas escorreram, mas a decisão já estava tomada. E tudo foi feito com ele entre as minhas mãos, não saí de seu lado até que tudo terminasse.

-         A caixinha de areia ficava no canto da gaiola mais perto de minha cama. E, por ser o local da caixinha de areia, ele não era usado pra mais nada, só era visitado nesses momentos cruciais. Porém, foi nesse canto, ao lado da caixinha de areia, com a cabeça voltada em direção à minha cama, que eu encontrei Lester morto uma manhã. Não tem como eu não pensar que, sabendo o que ia acontecer, ele tentou se aproximar de mim.

-         Como eu já disse, Chico era meu rato mais anti-social – exceto pelas demonstrações efusivas de carinho para com João no primeiro dia. Ele não era briguento, de maneira alguma, mas não curtia muito brincadeiras, nem dos outros ratos e nem minhas. Quando meu pai me proibiu de adotar mais ratos (numa crise de necessidade de afirmar sua autoridade, logo que eu adotei meu cachorro), eu fiquei muito preocupada com o que aconteceria com o último que sobrasse, porque eu já tinha visto o quanto eles sofrem sozinhos. De certa forma, foi sorte o Chico ter ficado por último, por ser justamente ele meu rato mais indiferente aos outros e a mim. Bem, pelo menos era isso o que eu pensava. Uma manhã, acordei com minha irmã me perguntando o que o Chico tinha. Quando olhei, ele estava com a parte de trás do corpo paralisada, tentando desesperadamente se locomover com as patas da frente, e muito ofegante. Nem escovei os dentes, mal tirei o pijama, o coloquei dentro da gaiola de transporte e chamei correndo minha avó pra nos levar pro veterinário. Ele passou todo o caminho olhando para o outro lado. De repente, virou a cabecinha na minha direção. E então morreu, olhando pra mim.

 

Por mais que essas histórias possam surpreender alguns e até comover outros, eu nunca vou poder expressar o real significado dessas criaturinhas na minha vida. Foram muitas risadas, muitos carinhos e, principalmente, muitos momentos de conforto que só eles souberam me dar. Eles, os ratos. Foram eles que abriram espaço para que eu desenvolvesse o que hoje considero uma das melhores partes de mim. E é por isso que pretendo que eles sejam a primeira marca gravada em minha pele.


LinkThe Dapper RatAug 12, '07 1:26 PM
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Fotos, informações e curiosidades sobre esses seres fascinantes: os ratos. Em inglês.

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